quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Será que estamos sobre censura? Leia o texto e faça as suas conclusões.

É proibido proibir

Em uma recente entrevista ao JP online da Jovem Pan, a autora de novelas Maria Adelaide do Amaral falou sobre o desejo de adaptar a novela “Que Rei Sou Eu?” para a TV, mas que não seria viável nos dias atuais devido à censura velada que é vigente em nosso país. Foi por causa disso que ela acabou se decidindo pela versão de uma novela light para a adaptação, trata-se da comedia rasgada “Ti Ti Ti”.
Apresentada com sucesso no horário das 19h na TV Globo nos dos anos 80, “Que Rei Sou Eu?” foi uma novela que marcou época em um momento em que o Brasil e o mundo vivia em grande ebulição. Enquanto que no mundo a queda do Muro de Berlim desencadeava grandes mudanças, por aqui, no nosso país, havia movimentos a favor da democracia, em comícios realizados em vários locais que ficaram conhecidos como as “Diretas já!”.
Aquele momento era ideal para os pensadores e intelectuais utilizarem para contar as suas historias, e foi o que fez Cassiano Gabus Mendes quando inventou um reino fictício num país distante, baseado nos ideias da Revolução Francesa de 1789, mas abertamente criticando o Brasil, o qual vinha de uma ditadura de mais de 20 anos.
Quando a novela “Ti Ti Ti”, que estreou no dia 19 de julho, trata-se de uma versão, também, dos anos 80, mais um dos muitos sucessos do genial Cassiano Gabus Mendes que soube como poucos, se enveredar sobre vários assuntos e temas, sempre deixando a sua marca, especialmente, na tele dramaturgia brasileira. A versão da novela “Ti Ti Ti”, é a mesclada de outro sucesso do autor, trata-se de “Plumas e Paetês”, desta última, a autora tomou emprestado apenas o núcleo romântico.
A novela “Que Rei Sou Eu?” marcou, especialmente, devido ao seu enredo, uma critica ao momento político em que estávamos vivendo. A história se passava em um reino onde o povo era oprimido, a corrupção rolava solta, planos econômicos mirabolantes, nepotismos, governantes demagogos, populistas e entre outros assuntos.
Maria Adelaide se diz censurada, pois não foi possível a adaptação de “Que Rei Sou Eu?” devido ao momento em que estamos vivendo politicamente, em que, certamente, haverá uma mudança ou acontecerá à continuidade de um mesmo partido no poder. A adaptação da novela citada poderia influenciar, no pensar dos “censores”, em uma possível mudança nos números das próximas eleições e, assim, influenciaria positivamente um dos partidos, ou seja, o da oposição.
Não é de hoje que a “censura” velada aparece sem que muitos se a percebam. E o caso, por exemplo, do autor da novela “Viver a Vida”, Manoel Carlos, ele sofreu do mesmo problema quando criou uma personagem interpretada pela atriz mirim Klara Castanho. A personagem era uma criança, digamos, de má índole, uma espécie de vilã que iria aprontar muito durante toda a novela. Isto era o que dizia a sinopse original, mas os censores logo entraram em ação e começaram a falar que uma criança-vilã feria o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Não é possível que em pleno século XXI ainda exista esse tipo de comportamento, não devemos deixar que isto acontecesse, o direito de pensar, falar e escrever o que queremos “ditado” ou silenciado por quem quer se seja. Em um mundo onde as comunicações estão cada vez mais avançadas. Lógico que não devemos sair por aí falando tudo o que nos vem à cabeça, como fazia outra celebre personagem da mesma novela “Viver a Vida”, a Isabel, personagem vivida pela jovem atriz estreante Adriana Biroli. A Isabel, a personagem citada, era do tipo que não deixava nada passar, estava sempre aposta para descarregar as suas “verdades” em cima daqueles que atravessavam o seu caminho.
Nem tanto ao mar, nem tanto a terra, mas devemos, sim, ficarmos atentos para que a “censura” não chegue a outros meios que utilizamos, a exemplo da Internet. Precisamos de uma plataforma para colocar as nossas opiniões e verificarmos o que os outros estão dizendo ou que tem a dizer. Já que não podemos confiar no que alguns meios de comunicação nos passam, devemos ter canais para buscarmos informação com qualidade.
A “censura” a autores de novelas, por exemplo, implica de uma forma de censura, o que fizeram com Maria Adelaide do Amaral em não deixá-la fazer a adaptação de um grande sucesso apenas por se tratar de, de acordo com a fala da novelista, em alguma forma de um cunho político, descreve-se como algo descabível. Já em relação o que aconteceu ao novelista Manoel Carlos é considerado grave, pois a história já estava no ar e isso obrigou o autor a muda o percurso em andamento.
Tudo isso nos faz pensar que esses “censores” de plantão são, muitas vezes, hipócritas e falsos moralistas, pois acabam vendo aquilo que, para eles, é o pensamento da maioria, o que na real não é o que todos pensam.
Imaginem se essa onda pega? Daqui a pouco teremos que declarar tudo que fazemos ou falamos. Blogues sendo censurados, o cinema e o teatro? Não! Nem em pensamento, pois se assim for estaremos perdidos.
A TV já está de alguma forma, sobre censura, só não ver quem não quer, é só nos atermos ao depoimento de Maria Adelaide do Amaral e na censura claramente feita a personagem de Klara Castanho na novela de Manoel Carlos. O que parece é que as crianças estão acima do bem e do mal e que não podem ser retratadas como elas são na vida real. Apenas devem aparecer na TV como crianças bonitinhas, felizes e sem quase nenhum problema.

Nenhum comentário:

Postar um comentário