segunda-feira, 27 de setembro de 2010

FELIZ DIA DOS PROFESSORES!!!!

TRANSFORMAÇÃO

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também. Imagino que a pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca imagina de que ela é capaz: BUM! E ela aparece como outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficará dura a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.

(Extraído do livro “O amor que acende a lua”, de Rubens Alves – Editora Papirus)
Pessoal, eu sou fã do Rubem Alves, especialmente dos textos que ele escreve sobre Educação, mas hoje eu me deparei com este texto e estava lendo, pela milésima vez, e resolvi compartilar com vocês. Espero e gostei e reflita sobre o tema.


Obrigada,

Missionária Néia

Nenhum comentário:

Postar um comentário